Tudo na
vida tem começo, meio e fim. A forma com administramos aquilo que temos por
posse, nos permite a sua longevidade e/ou perpetuidade. As águas fazem parte do
nosso sistema solar, planetário, mundo físico, visível e invisível. Elas estão
por todas as partes, algumas podemos ver e outras não. Podem estar acumuladas
ou fracionadas, em alguns recipientes ou mesmo nas moléculas. O que não podemos
deixar de considerar é que ela é vital para as espécies e a sobrevivência
humana.
A crise
hídrica tem sido tema desde os primórdios, à medida que a população da terra
vai tendo a sua ampliação e a densidade demográfica vai se acentuando, há
necessidade de cultivo para a subsistência, na lavoura, plantação, hortas e
canteiros; torna-se notória a necessidade da água para o seu desenvolvimento.
Inicialmente, os reservatórios tinham caráter privado em virtude do
investimento daquele que os estabeleceu. Lagos, barragens, açudes, barreiros,
cacimbas, cisternas, poços, etc. eram construídos para fins privados, onde
somente aqueles que faziam parte daquela região ou posse podiam ter acesso à
água acumulada. Tempos depois, quando foram surgindo as cidades em virtude do
êxodo rural, a União passou a construir reservatórios de natureza pública, nos
quais se permitia o consumo coletivo das águas. Mesmo que as águas possam ter
um caráter privado, hoje elas pertencem a União, não havendo fronteiras
estaduais ou municipais.
Desde os
tempos bíblicos, que as águas têm sido questões de litígios e conflitos, Abraão
conflitou com Abimeleque por este ter tomado um poço a força (Gn.21:25). A
abundância ou escassez podem levar a confrontos e guerras, os inimigos usavam
de obstrução dos poços como retaliação a prosperidade de um povo. Os filisteus
entulhavam os poços que Isaque havia recebido do seu pai Abraão (Gn.26:18-21).
A maior herança que um patriarca (Pai) poderia deixar para sua prole (filhos)
era um poço de água, que servia como símbolo de prosperidade e riqueza. Dele
beberia o povo e o rebanho, além do fornecimento para irrigar a plantação.
O que
temos hoje poderá nos faltar amanhã! O uso indiscriminado das águas sem as
devidas prevenções pode nos levar ao colapso total de sua utilização para o
consumo humano. As matas ciliares estão sendo mortas, os rios, envenenados, os
lagos transformados em depósitos de resíduos e dejetos, as nascentes entupidas
para edificações habitacionais, os poços contaminados pelos agrotóxicos e todos
os tipos de elementos químicos nocivos à raça humana.
Quando
temos algo por precioso, sempre guardamos em lugar seguro. Nunca o desprezamos,
pelo contrário, prezamos e preservamos. Com a água não poderia ser diferente,
ela é uma joia preciosa, porém finita, daí a possibilidade real de podermos
ficar sem ela. Imagine a humanidade se deparando com uma notícia: “As águas do
planeta terra só terão disponibilidade para uso por mais 08 dias, logo após
todos precisam procurar outro meio para sobreviver”!
Mediante a
finitude dessa bênção (as águas), precisamos refletir e redirecionar a forma de
como a utilizamos, visto a importância de continuamos usufruindo dessa tão
grande dádiva divina. Deus, quando envia as chuvas, Ele manda para os bons e
para os maus. Os bons sabem ser gratos, os maus, indiferentes.
Rev. José
André Silva

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